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Lula defende reciprocidade após Brasil retirar credencial de agente dos EUA

Presidente apoia retirada de credencial de agente dos EUA após medida contra policial brasileiro

23/04/2026 às 12:11
Por: Redação

Durante pronunciamento realizado nesta quarta-feira, 22 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou seu apoio à iniciativa do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que determinou a retirada da credencial diplomática de um agente de imigração norte-americano que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília.

 

Lula destacou que a ação brasileira está fundamentada no princípio da reciprocidade, motivada pela decisão recente do governo dos Estados Unidos de exigir a saída do delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, daquele país. Marcelo Ivo de Carvalho teria participado da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em território norte-americano. No vídeo divulgado nas redes sociais, Lula esteve acompanhado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

 

"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", afirmou Lula na gravação.


 

A decisão do governo brasileiro foi informada à representante da embaixada dos Estados Unidos na terça-feira, 21 de abril, conforme comunicado emitido pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) na rede X. A nota oficial esclareceu que o Brasil optou pelo princípio da reciprocidade, uma vez que a medida norte-americana, tomada contra o policial brasileiro, ocorreu sem qualquer solicitação prévia de esclarecimento ou tentativa de diálogo, em desacordo com o tratado bilateral de cooperação na área policial.

 

O comunicado do MRE também ressaltou que a medida norte-americana não está alinhada com as boas práticas diplomáticas que historicamente pautaram o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos, países que mantêm mais de dois séculos de relações amistosas.

 

O Ministério das Relações Exteriores destacou ainda que o agente brasileiro atuava baseado em memorando de entendimento firmado entre os dois governos especificamente para facilitar o intercâmbio de oficiais de ligação no setor de segurança, reforçando que a decisão adotada prevê tratamento equivalente ao agente dos Estados Unidos.


 

Contexto do caso envolvendo o delegado brasileiro

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira, 20 de abril, que solicitou a saída de um "funcionário brasileiro" do seu território. Apesar de não mencionar nomes no comunicado, o texto indica tratar-se de Marcelo de Carvalho, delegado da Polícia Federal, implicado na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Alexandre Ramagem foi solto em 15 de abril, após permanecer detido por dois dias na Flórida. Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), teve condenação de 16 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano anterior, em processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. Depois da decisão judicial, ele teve o mandato cassado, deixou o país para escapar da pena e passou a viver nos Estados Unidos.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o encaminhamento formal do pedido de extradição de Ramagem para os Estados Unidos, medida realizada por intermédio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

 

A Polícia Federal comunicou, em abril, que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americano resultou da cooperação policial internacional firmada entre Brasil e Estados Unidos. O ex-deputado foi capturado na cidade de Orlando e, desde então, é considerado foragido da Justiça brasileira, condenado por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

 

Novas contratações para a Polícia Federal

 

No mesmo vídeo divulgado nas redes sociais, Lula anunciou a contratação de mil novos agentes para reforçar o quadro da Polícia Federal, com atuação prevista em portos, aeroportos e áreas de fronteira. O presidente afirmou que essa medida integra o compromisso do governo federal no combate ao crime organizado.

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